Sunday, April 01, 2007

O manto da invisibilidade

Pesquisadores da Universidade Duke descobriram como tornar um objeto “invisível” às ondas eletromagnéticas.

Por enquanto só é possível fazer isso com ondas de freqüência na região de microondas, na ordem de Gigahertz. A luz também é uma onda eletromagnética, porém com freqüências na ordem de Terahertz. Nossos olhos enxergam a parcela de luz refletida pelos objetos; se essa reflexão fosse anulada as ondas passariam pelo objeto sem sofrer nenhuma alteração tornando-o invisível para nós.

As figuras abaixo mostram uma simulação que eu fiz de uma onda plana incidindo em um cilindro altamente condutivo, ou seja, que permite praticamente a reflexão total da onda. Essa simulação foi feita usando o método das Diferenças Finitas no Domínio do Tempo (FDTD), o mesmo que usei em minha dissertação de mestrado.

Aqui a onda plana eletromagnética ainda não encontrou o cilindro condutivo

Nesse instante de tempo a onda encontrou o cilindro condutivo e começa a ser refletida.

A onda ultrapassa o cilindro, parte dela é refletida e não há nenhum campo no interior do cilindro. Observem que a onda plana se altera completamente devido às reflexões e interferências construtivas e destrutivas.

Os pesquisadores usaram um tipo de material denominado metamaterial. O metamaterial tem índice de refração negativo. A onda será desviada para o mesmo semi-plano da onda incidente, determinado pela reta perpendicular à superfície de incidência.






Metamaterial................................. Material comum

O vídeo abaixo mostra algumas informações sobre o funcionamento do Manto da Invisibilidade. Observem que a onda sai com pequenas alterações após atravessar o "manto". Como esse manto só funciona para freqüências muito aquém das freqüências ópticas ainda falta muito para a ficção se tornar realidade.

Sunday, January 14, 2007

A última Cumparsita de 2006



Esse foi o melhor concerto que já assisti.

Buenos Aires, 31 de dezembro de 2006, em frente ao Obelisco dez mil pessoas ouvem um espetáculo em absoluto silêncio (eu estava encostado nas árvores à direita do palco).

Daniel Barenboim regeu a Orquesta Filarmónica de Buenos Aires tendo como convidados Leopoldo Federico e sua orquestra com cinco bandoneones, além de Mora Godoy e Junior Cervila dançando tango.

Tive o prazer de ouvir músicas de Gardel, Piazzolla e Horacio Salgán (que apareceu no palco, velhinho, mas não cantou).

Barenboim é argentino mas passou muito tempo em Israel onde fundou a orquestra West-Eastern Divan, a única formada por jovens israelenses e palestinos.

A Argentina é um país interessante. Apesar da onda de insegurança que assola o país, vale a pena visitá-lo (eu gostaria de colocar algumas fotos nesse post mas fui assaltado em Caminito, em plena Boca, e levaram a câmera).

Um dia antes de retornar ao Brasil fui ao Zoo Luján, a umas duas horas de Buenos Aires. Um lugar inacreditável onde é possível ter contato direto com os animais como mostra o vídeo abaixo.



Acreditem, isso é possível.

Friday, December 22, 2006

OPTICKS - Um Tratado sobre a Luz


Encontrei esse livro em formato pdf. O autor é Isaac Newton e a leitura desse livro é bastante interessante por vários motivos.

É interessante perceber como a língua inglesa apresentava maior semelhança à língua germânica há três séculos. Todos os substantivos eram escritos com a letra inicial maiúscula, como o alemão atual; além disso, a letra eszett (ß) ainda era usada em algumas palavras como “leß” (hoje se escreve “less”). Na verdade a letra eszett é o resultado da junção da letra ſ (denominada s longo, que pode ser encontrada em alguns documentos portugueses antigos) com a letra s. Freqüentemente essas duas letras são usadas nesse livro (e não simplesmente ß), o que torna a leitura menos fluente no início. Também é interessante notar que no rodapé de cada página eles imprimiam a primeira palavra da página seguinte, como se fosse uma espécie de partitura musical.

O estilo de linguagem desses tratados é extremamente semelhante ao usado nos artigos científicos atuais. Alguns símbolos, como o desenho de um olho indicando a posição do observador, também não foram modificados com o passar dos séculos. Uma diferença perceptível é o uso da primeira pessoa do singular ao descrever os experimentos; atualmente usa-se “nós”, e não “eu”, como sujeito por uma questão de elegância (essa é uma das poucas ocasiões em que muitos cientistas demonstram humildade).

Esse livro é revelador em muitos aspectos. Mostra como era difícil o entendimento da ciência naquela época sem as facilidades gráficas, matemáticas e computacionais que temos hoje. Newton usava apenas seu texto e pouquíssimas figuras para descrever seus experimentos e o leitor necessitava (pelo menos no meu ponto de vista) de uma capacidade de abstração e concentração muito grande para assimilar o que foi feito.

Eu passei a admirar ainda mais Isaac Newton, tanto pela sua capacidade de tirar conclusões brilhantes quanto pelo seu poder de observação. Até o arco-íris foi usado em seus experimentos. Com pouquíssimos instrumentos de medida Newton conseguiu desenvolver teorias no campo da óptica usando sua observação, o raciocínio lógico e muito trabalho.

Na minha opinião, a síntese do caminho para o desenvolvimento científico pode ser expressa pela sua famosa frase “Se eu vi mais longe foi por estar sobre os ombros de gigantes” (“If I have seen further it is by standing on ye shoulders of Giants”), que é uma adaptação de John Salisbury em Metalogicon, um livro religioso escrito em 1159, cuja tradução do latim para o inglês pode ser:"We are like dwarfs sitting on the shoulders of giants. We see more, and things that are more distant, than they did, not because our sight is superior or because we are taller than they, but because they raise us up, and by their great stature add to ours".

Quem quiser pode baixar o livro clicando aqui. É pesado, são 30 Mbytes mas vale a pena.

Saturday, November 04, 2006

Futebol de filósofos

Esse é um vídeo genial dos malucos do Monty Python

Thursday, October 26, 2006

Morre o maestro Rogério Duprat


Hoje morreu Rogério Duprat. O maestro responsável pelo rompimento da barreira entre as músicas erudita e popular brasileiras.

Duprat foi destaque da Orquestra Sinfônica Brasileira na década de 50. Aproximou-se dos músicos populares e participou do Tropicalismo.


Na capa desse disco histórico Duprat (sentado à esquerda) segura um penico como se fosse uma xícara de chá.

Ele criou arranjos maravilhosos para os melhores cantores populares do Brasil (Gilberto Gil, Chico Buarque, Jorge Ben Jor) e para as bandas pioneiras do Rock Brasileiro: Os Mutantes e O Terço.

As duas fotos abaixo mostra a transformação do Duprat Clássico para o Duprat Popular.

















Duprat mudou-se para um sítio em Itapecirica da Serra, se retirou da música por problemas de surdez causados por horas de gravações em estúdios.

Duprat se decepcionou com a música popular brasileira, para ele tudo se tornou uma repetição:


"Tudo que se faz hoje já se fazia há 30 anos. O rap nada mais é do que uma colagem, típica do espírito pós-moderno, que não cria, não acrescenta. O rock repete fórmulas. Eu disse tudo que tinha a dizer naquele período entre os anos 60 e 70"


Eu fico deprimido quando percebo que ele tem razão. Na minha opinião a música popular brasileira moderna foi composta há 30 anos atrás. Hoje só resta a cópia e a falsificação.

Abaixo estão alguns dos seus arranjos: Uma belíssima música da banda O Terço, da qual Flávio Venturini fez parte na década de 70, e as duas versões de Panis et Circenses dos Mutantes.

Clique na figura abaixo para ouvir